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 O CRIADOR E A CRIANÇA



 

Em meus escritos procuro dar algumas definições das coisas, conforme as vejo. Naturalmente sempre que uma pessoa quer saber o significado de uma coisa, ela recorre a um bom dicionário.

Quando todavia você quer dizer alguma coisa, não expressa nos dicionários, você cria uma palavra ou expressão. Algumas vezes recorri a estas ações para expressar o que realmente sentia ou compreendia sobre um pensamento ou atitude. Isto porque às vezes as pessoas com quem convivemos não entendem as razões íntimas que nos movem a uma determinada direção na vida.

Um grande amigo meu e filho na fé, certo dia me disse: pastor Stêvão, por que você pensa tanto em alfabetizar as pessoas, educar os jovens e adolescentes e criar escolas ao invés de criar igrejas. E disse-me mais: Eu penso que o mais importante é construir igrejas, é falar de Jesus.

Agora, meu irmão leitor, como poderia explicar a esse amigo, meu filho na fé, que ensinar é mais que falar, assim como escrever é mais do que pregar. Que uma escola é mais importante que um templo, para o ensino. Não pense que eu estou falando alguma coisa absurda. Para explicar as coisas como você as entende é necessário que você use as palavras que traduzam exatamente aquilo que está pensando, caso contrário a comunicação não será perfeita.

Vejamos o que Jesus disse: Ide, fazei discípulos, ensinando a guardar todas as coisas que vos tenho dito (Mat. 28:19). Ninguém jamais fará um discípulo sem ensiná-lo. Jesus mencionou de que maneira o seu discípulo seria identificado. Ele disse: "nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se fizerdes o que eu vos mando".

Como fazer o que ele mandou se desconheço o seu mandamento, se confundir os 10 mandamentos dados por Moisés com os mandamentos dados por Jesus. É evidente que ainda não vejo as coisas claramente: Ainda não sei o que são as obras da lei e o espírito de vida em Cristo Jesus; os filhos de Abraão e os filhos de Abraão pela fé, as posteridades e a posteridade; Agar, os filhos da escravidão e Sara, os filhos da liberdade. Você pode observar como as coisas podem se tornar cada vez mais complexas?

Falar não é o mesmo que ensinar, como transmitir conhecimento não é o mesmo que treinar para a vida. A pregação não alcança o mesmo que a leitura, porque ouvir uma pregação ou uma música, não exige esforço mental. A pregação, quando bem elaborada, gera entusiasmo, mas a leitura exige concentração, esforço para compreensão do que está escrito.

Assim, podemos fazer da estrutura física de uma escola um templo, mas um templo não poderá ser uma escola, porque um grande espaço físico dificulta o aprendizado. Numa grande campanha evangelística todos saem edificados, porque "a fé vem pelo ouvir e ouvir a Palavra de Deus" mas nada ou quase nada "instruídos" nas verdades anunciadas. Digo entre nós, os pentecostais, porque sou pentecostal. Basta ouvirmos a palavra dita com bastante entusiasmo, seguida de línguas estranhas, que já nos soltamos em oração. Resultado: O culto foi maravilhoso! E foi mesmo! Mas o que nós aprendemos? Pense e responda!

As aves dos céus levam aquela semente tão fácil como ela foi semeada em nossos corações. Somente as sementes que lançam suas raízes em terra funda, são as que produzem frutos, conforme o ensino do Senhor. Raízes fundas querem dizer ensino, enquanto as ramas superficialidade.

O grande problema enfrentado hoje pela igreja, e pelos pastores, não é a falta de avivamento, nem de gente que fale de Jesus, mas a enorme necessidade hoje é de encontrar gente que estão procurando aprender de Jesus. E olhe que Ele convidou: aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração.

Todos querem ser obreiros, todos querem pregar, todos acham que podem ensinar e às vezes quando estão fora da escala, chegam até ao ressentimento. Que todos queiram levar o recado de Deus é muito bom, mas primeiro é necessário conhecer o recado, isto é, a Bíblia. Devemos começar com aquilo que sabemos: o nosso testemunho pessoal, como ensinei na mensagem passada. Depois sentar para aprender.

Vejo pessoas conhecidas por todos pela mídia se convertendo ao evangelho. Quando pessoas famosas se convertem, é algo maravilhoso. Seu testemunho revela o poder de Deus. É natural que todos os crentes glorifiquem ao Senhor, mas quando esse testemunho, do novo convertido, toma o tempo do culto, é aí que reside o problema. Não sentam para ouvir e aprender.

Depois de pouco tempo estão fora da Igreja, falando mal de tudo e de todos. Desonram seus pastores comentando: meu pastor falou que eu não devo fazer isto, mas ele não manda em mim. Eu faço o que eu quero e vou continuar indo à igreja, o pastor não pode me impedir." Tornaram-se evangélicos, mas é contra Jesus que estão falando. Não deram tempo ao tempo para aprender de Jesus, porque ouviram-se sempre a si mesmo. Depois, já não suportam mais ouvir ou falar de suas vidas de outrora. Ficou tão chato, que nem eles agüentam. Deixou de ser o testemunho para ser um tristemunho. Como Judas, o escariotes, que andou um pouco com Jesus, mas só aprendeu da bolsa, porque era o tesoureiro.

Essas pessoas vão de Igreja em Igreja, falando de Jesus, arrastando multidões. Não há mal nenhum nisto, se depois que dessem seu testemunho se assentassem para ouvir a pregação e aprender com a Palavra de Deus. Não estou falando de humildade, porque é hoje uma virtude em extinção. Vamos aprofundar o tema: Aprendei de mim: um ato de amor! Passados alguns meses, ouvimos que aquela pessoa maravilhosa caiu em pecado, ou voltou a sua velha vida. Sabe por quê? Vou atrever-me em responder: O testemunho dela, depois de algum tempo, não tinha valor nem para edificação dela mesma.

O pior disto tudo é que ela se achou capaz de ensinar doutrinas para a própria igreja. Afinal já tinha falado em tantas igrejas e sempre muito aplaudida, achou-se capaz de emitir normas para a igreja. Quando questionada, achou mais fácil afastar-se do evangelho de Jesus ou fundar uma nova denominação, do que aprender de Jesus em humildade. O erro sempre será erro, assim como o pecado sempre será pecado.

Jesus nos chama para nos convertermos do pecado. A pessoa se converte e testemunha essa conversão, confessa a sua velha vida de pecado. Depois de algum tempo testemunhando nas igrejas, pessoas que não aprenderam com Jesus, porque não tiveram tempo para ouvir e aprender dele, pois a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus e não por testemunhar, passam a ver a sua velha vida não mais como uma vida de pecado que as levou à conversão. De quem é a culpa por esses testemunhadores passarem tão depressa de testemunhas de Jesus ao abandono da fé ou a doutores da igreja? Da mídia ou da falta de zelo pela igreja?

A estas interrogações prefiro responder com o ensino. O novo convertido, deve aprender de Jesus. O testemunho, por mais maravilhoso que seja, não deve substituir a pregação e o ensino da Palavra de Deus no culto. O maior de todos os testemunhos é o testemunho que Deus deu acerca de seu Filho Jesus. Assim que um grande testemunho deve usar apenas uma parte do culto, depois o testemunhante deve assentar-se e ouvir da Palavra, para o seu próprio benefício espiritual. Se houver mais humildade, mais tolerância, mais amadurecimento espiritual, mais amor, sempre acharemos irmãos que vivem e amam a Jesus como nós e diminuirá o número de denominações e de pessoas enfraquecidas na fé.

Não que sejamos perfeitos, mas para mim que sou pentecostal, nunca foi problema participar com os irmãos tradicionais, mas o importante é que nunca lhes causei problemas ou divisões. Quando estou entre os metodistas, todos me acham metodista. Quando estou entre os batistas, presbiterianos, congregacionais, luteranos, episcopais, me comporto como um deles. Não preciso me esforçar para ser um batista entre os batistas, presbiteriano entre os presbiterianos, pelo contrário me sinto um deles. Se sou um deles, as suas alegrias são as minhas alegrias, os seus hinos são os meus hinos. Sinto-me honrado e feliz por ser de todos os irmãos.

Com o meu programa de alfabetização pela Bíblia, trabalhamos com 90 denominações. Quando estamos juntos, sentimos as alegrias e o antegozo dos céus. Nos céus não haverá denominações, mas redimidos pelo sangue de Jesus! Estar entre os adoradores de imagens de escultura ou entre os que invocam os espíritos dos mortos, não é a mesma coisa! Estes não são dos nossos!

Todos lutamos para a igreja crescer em número, mas pouco para que ela seja edificada. Em atos 9:31 diz que a igreja crescia em número e era edificada. Edificada quer dizer que a igreja era instruída na Palavra do Senhor. Instruir quer dizer educar. Uma pessoa que não é educada na palavra de Deus, tem muito pouco fundamento para resistir os ventos e os temporais da vida.

Assim, para explicar o que sinto pela educação digo: "O homem tem muitas maneiras para expressar seus sentimentos: um aperto de mãos é cordialidade, abraçar é um gesto de fraternidade; beijar, manifestação de ternura, mas educar é um ato de amor"

Como poderemos explicar a educação como um Ato de amor? O ato não é a peça toda, porque a peça é composta de vários atos. Dizemos então que o ato é aquilo que está sendo feito. Falando em princípios, educação é como um ato, um processo em realização. É uma permanente transformação.

A cada instante que educamos, entendemos educação como treinamento para a vida, e não simplesmente um transmitir de informações. Estamos passando em valores, modo de proceder, de agir, de se expressar, não apenas com palavras, mas com a nossa maneira de viver. Se os pais forem tementes a Deus, os filhos também o serão. Daí a grande importância do casal ser do mesmo parecer e conversar sobre a educação dos filhos.

O pai não pode treinar o filho diferentemente do treinamento que a mãe está dando. Porque a criança, mais cedo que se imagina, perceberá que se pode agir de diferentes maneiras diante de uma situação vital, isso trará dúvidas e indecisão à vida da criança em horas decisivas. Por exemplo: Diante do erro, da mentira, da calúnia, do desentendimento, do pecado, afinal, só há um caminho: o ensinado pela Palavra de Deus. Não pode haver opções. O pecado é mau, é maligno, é das trevas, é do diabo. Devemos terminantemente rejeitá-lo.

Como a educação é uma realização processual, ato após ato, é preciso complementar a cada oportunidade e a cada necessidade até a completa transformação. A realização cabal da educação de nossas crianças ocorre quando elas amadureceram plenamente. Este amadurecimento é visível quando total aquisição e propriedade dos princípios educativos são manifestos e revelados espontaneamente pelos nossos filhos. Não se trata de ser a extensão do educador, mas uma personalidade própria, que assimilou a totalidade do conjunto do conhecimento e exprime dentro da sua individualidade os mesmos princípios, os mesmos valores, os mesmos bens, a mesma fé, o mesmo amor que lhe foi ensinado. O treinador não joga, ele ministra os conhecimentos, as regras. O jogador aplica os fundamentos do treinador e cria a sua própria arte.

O discípulo não é superior a seu mestre, mas todo o que for perfeito será como o seu mestre. (Lucas 6:40) Ele não é igual ou superior. Ele é como o mestre, porque alcançou a perfeição.

Desde o passo inicial, ou do primeiro ato, até a consumação cabal do processo educativo, passa-se por determinadas fases, mas chega-se a um determinado grau de perfeição não superior ao mestre, mas como o mestre.

Esta realidade de realização não se faz sem que haja amor, muito amor. Muito amor é o mesmo que ter paciência, ser perseverante, ver a obra concluída em cada passo do processo. É semelhante a um quebra-cabeça. Se as peças forem colocadas nos lugares certos, o todo vai se formando e a realidade final é a obra acabada.

Deus criou a luz, a luz era perfeita, mas a obra ainda não estava completa. Deus criou os céus e os céus eram perfeitos, mas a obra não estava completa. Ele criou a terra. A terra era perfeita. Nada mais precisava ser feito para dar-lhe um toque final de perfeição.

Todavia viu Deus que era possível fazer mais coisas e fez as árvores, os pássaros, os animais, os domésticos e os selvagens; os peixes e os grandes animais marinhos. Ele não os criou para aperfeiçoar a terra ou o mar, porque eles foram feitos perfeitos em si mesmos. A obra da criação era toda perfeita, ato após ato, ou melhor dito dia após dia, mas faltando, por exemplo, os céus, a obra não estava pronta.

E Deus fez os grandes luminares, e as incontáveis estrelas na vastidão extasiante do universo. Deus assim foi criando e fazendo até chegar ao final de toda a sua obra. Finalmente, depois de 6 dias completou a sua obra com a criação de nossos primeiros pais Adão e Eva. Educar é assim como Deus fez o mundo: um ato de amor, uma realização perfeita, dia após dia.

PENSAMENTOS DE HOJE:

  • "O professor nem sempre é um educador, mas o Educador é sempre um Professor". (Gilberto Stêvão)

  • "Quando semeares para um ano semeia grão. Quando plantares para uma década, planta uma árvore. Quando plantares para a vida educa um homem." (Kuan-Fu)

  • "Educador é aquele que alcançou o mais alto grau de compreensão dos reais valores da vida, por isso os seus ensinos são um derramar permanente de valores incalculáveis, que os tolos não percebem." (Gilberto Stêvão)

  • "Educar é construir o mais importante edifício sobre toda a face da terra - o próprio homem". (Desconhecido)

  • "É necessário construir antes escolas para o menino, afim de não construirmos mais tarde prisão para o homem". (Goethe)

  • "O homem é um todo - corpo, alma e espírito, trabalhar com apenas uma das partes não é educação é caricatura." (Gilberto Stêvão)

  • "A chave misteriosa das gerações que nos afligem é esta, e só esta: a ignorância popular , mãe da servilidade e da miséria". (Rui Barbosa)

  • "A educação sendo o mais importante investimento, não deve ser entendida como despesa". (Desconhecido)





Gilberto Stevão
Pastor