Uma Assembléia de Deus, do Estado de SP, deu a um jovem pastor uma missão. Ele deveria visitar vários países da África e escolher 6 missionários nativos, oferecendo-lhes uma ajuda mensal. A visão era ajudar missionários locais, assim não haveria necessidade de treinamento, aprendizado de uma nova língua, conhecimento dos costumes, enfim toda gama de complexidade no preparo missionário transcultural.
Eu conheci esse jovem pastor nos USA. Depois de um abençoadíssimo culto de oração, contou-me sua aventura missionária. A princípio procurou definir por onde começar. Logo pensou em Moçambique, porque em Maputo, na capital, há uma grande Assembléia de Deus e o pastor poderia ajudá-lo. A igreja lhe deu seis meses para desempenhar a missão, todavia um dos requisitos fundamentais, era que o lugar, cidade ou povoado a ser ajudado, não deveria existir igreja cristã.
Ao expor sua missão ao pastor de Maputo, este lhe informou que no país vizinho, encontraria com facilidade essas pessoas dispostas a serem missionários nas suas próprias localidades, mas acrescentou: "Lá não falam português, falam centenas de dialetos, e eu, falo apenas 6 dialetos". Posso ir com você, mas lá não há como se hospedar.
O jovem foi à Àfrica do Sul, comprou um moto-home e logo entraram no país vizinho. Ele disse: O sinal para a escolha será aquele que falar em línguas estranhas. Assim saberei que está batizado com o "Espírito Santo". Atravessaram um rio e chegaram à primeira aldeia. Lá encontraram um obreiro de Jesus que ia de aldeia em aldeia pregando o Evangelho.
Andou dias mato adentro, com aquele homem. De lugar a lugar reuniam-se embaixo de árvores e pregavam o evangelho a um grupo de pessoas. Viu uma menina que orava com fervor, falava em linguas estranhas. Alegrou-se pensando ter achado a primeira pessoa, mas logo foi informado que aquele falar era um dos dialetos local.
Quantos membros têm a sua Igreja, pastor?, perguntou o jovem. Não sei, uns 60 a 80 debaixo de cada árvore. E em quantas árvores o senhor prega? Não sei, são muitas, umas 100 árvores. Por isso os líderes muçulmanos querem me matar. E repetiu com ênfase: "Eles querem me matar, pastor", arregalando seus olhos brancos e levantando suas grandes e negras mãos.
Depois de 6 meses o jovem pastor tinha selecionado mais de 80 obreiros, todavia a qual escolher? Apartei-lhe para perguntar:"E o sinal das linguas"? "Esta era a evidência mais falha. Quando oravam, todos falavam em linguas, dançavam, gesticulavam, que jamais pude saber se eram as línguas estranhas do Espírito". Para mim, todas eram línguas estranhas. Há entre eles mais de 1.000 linguas e dialetos.
O pastor com grande dificuldade escolheu os seis para completar a sua missão. Nenhum daqueles obreiros sabiam ler ou escrever. E aquele homem de Deus que ia de árvore em árvore pregando o evangelho, levava a Bíblia com ele, mas também não sabia ler. Quando ele tinha oportunidade de participar de reuniões onde havia alguém que lesse a Bíblia, marcava o lugar com uma folha de árvore, para depois usar quando precisasse pregar debaixo das árvores.
A sua Bíblia parecia um galho de árvore, Aleluia! diga também: Senhor, eis-me aqui, envia-me a mim! Faça de mim um missionário alfabetizador, para ensinar milhares de pessoas a também poderem ler a Bíblia.

Gilberto Stevão
Pastor