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N° 35 - PENSAMENTO FÍSICO-FILOSÓFICO DA MECÂNICA QUÂNTICA DE ACORDO COM A CRIAÇÃO DO MUNDO DESCRITA EM GÊNESIS
Stêvão, Éber Luís de Lima
Introdução
"A revolução científica começou com Nicolau Copérnico, que se opôs à concepção geocêntrica de Ptolomeu e da Bíblia..." é a citação feita pelo físico CAPRA (1982, p.50), pesquisador da Universidade de Berkeley, Califórnia.
Essa afirmação mostra o seu total desconhecimento acerca da escrita contida na Bíblia. Em nenhum lugar do Velho ou Novo Testamento encontraremos a afirmação de que o sol gira em torno da terra. Ao contrário em Gênesis lemos:
"E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz dia; e às trevas, noite" (Gênesis 1:4,5)... "E disse Deus: haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos" (Gênesis 1:14)..."E fez Deus os dois grandes luminares; o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite" (Gênesis 1:16).
Examinando, qualquer coisa que governa tem em si a propriedade de ser a diretriz em relação a outra. Portanto, o sol foi posto como principal ao restante que se encontra na terra.
Tudo isso foi feito num único momento atemporal, pois foi planejado dentro de um contexto de um ser eterno que ainda não tinha estabelecido o cronos.
Poder-se-ia perguntar, então, o que Deus fazia antes de criar os céus e a terra? Parece-me lógico dizer, até mesmo em concordância com o Gênesis, que o tempo foi criado em função do homem para sinais, dias e anos. Deus surge fora da concepção cartesiana de tempo, pois encontra-se no conceito de eternidade antes e depois.
Momento histórico
Retomando a história, vemos que a Copérnico seguiu-se Johannes Kepler que criou as leis empíricas do movimento planetário. Kepler era um homem temente a Deus.
Voltando a atenção para a astronomia, após ter descoberto as leis da queda dos corpos, destaca-se Galileu Galilei. Ele é considerado o pai da ciência moderna porque combinou a linguagem numérica - matemática - à experimentação científica ou seja, postulou que os cientistas, agora não mais filósofos, deveriam dar foco em seus estudos as formas, quantidades e ao movimento - propriedades essenciais dos corpos materiais pois são passíveis de serem medidas e aquelas inquantificáveis como som, cheiro, etc., deveriam ser eliminadas do discurso científico experimental.
Na mesma época na Inglaterra, Francis Bacon teorizava o método indutivo - empírico - e fez da experimentação científica, baseado na extração de conclusões gerais a serem reaplicadas em novos experimentos, a sua obsessão.
No século XVII aparecem duas figuras muito importantes que norteariam o subseqüente desenvolvimento do ocidente. René Descartes, o fundador da filosofia moderna com apenas 23 anos de idade, incorporou ao pensamento da época um novo método de raciocínio baseado em princípios fundamentais, dispensando a demonstração.
Segundo BERTRAND RUSSELL (1961), desde Platão não houve outro filósofo que apresentasse em sua obra uma novidade tão arejada, pois reduziu todos os fenômenos físicos a relações matemáticas exatas.
Enfim, o pensamento analítico cartesiano - método racional, dedutivo - pode ser resumido na própria afirmação do seu criador: "toda a minha física nada mais é do que geometria" (VROOMAN, 1970. p.120).
Descartes colocou a pessoa de Deus como o proporcionador da nova ciência. Para ele, a existência de Deus era essencial à sua filosofia científica e que Deus havia criado mente e matéria, apesar da aparente contradição na exposição de que não havia propósito, vida ou espiritualidade na matéria e na afirmação "não há nada no conceito de corpo que pertença à mente, e nada na idéia de mente que pertença ao corpo" (SOMMERS, 1978), como se não houvesse inter-relação ou correlação entre ambos.
Para Descartes, Deus era a fonte da ordem natural exata e da luz da razão que habilitava a mente humana a reconhecer essa ordem.
Segundo os desígnios divinos, no ano que morre Galileu, nasce o segundo gênio seiscentista. Foi Isaac Newton, inglês nascido em 1642 que criou o cálculo diferencial - método que descreve o movimento de corpos sólidos; das pedras aos planetas. Ele forneceu uma consistente teoria matemática que permaneceu como um forte pilar do pensamento científico até parte do século XX.
Considerava que tanto as partículas quanto a força da gravidade eram criadas por Deus. Segue, sob a óptica newtoniana, a criação do mundo material por Deus: "Parece-me provável que Deus, no começo, formou a matéria em partículas sólidas, compactas, duras, impenetráveis e móveis, de tais dimensões e configurações, e com outras propriedades tais, e em tais proporções com o espaço, que sejam as mais compatíveis com a finalidade para que Ele as formou; e que essas partículas primitivas, sendo sólidas, são incomparavelmente mais duras do que quaisquer corpos porosos compostos por elas; realmente tão duras que nunca se desgastam nem se fragmentam, e não existe nenhuma força comum que seja capaz de dividir o que o próprio Deus unificou na criação original" (CAPRA, 1975. p.56).
Newton destacou-se muito também como teólogo. Crente em Deus, até os últimos dias da sua vida, ele envolveu-se em pesquisas para descobrir a possibilidade da existência de algum código oculto registrado na Bíblia (Código Secreto, 1998).
Na física e também em outras áreas do conhecimento vão se destacando pessoas como John Dalton, na química, John Locke, no iluminismo, Michael Faraday e Clerk Maxwell, na eletrodinâmica. Ajustando-se muito bem ao mundo newtoniano, o ilustre botânico Lineu assim escreve:
"Calculamos tantas espécies quantas as saídas aos pares das mãos do Criador" (RANDALL, 1976. p.486).
Entropia filosófica contemporânea
Após o célebre Einstein, os cientistas subseqüentes omitiram qualquer referência explícita a Deus e desenvolveram sua teorias de acordo com a separação cartesiana, sendo que as ciências humanas concentraram-se na res cogitans e as naturais, na res extensa.
Contrário a Deus e intencionando desfazer os seus propósitos, levanta-se um estudioso afirmando o maior absurdo do pensamento científico que um único indivíduo teve alguma vez a oportunidade de propor.
No começo do século XIX, o biólogo Jean-Baptiste Lamarck propõe uma teoria de evolução, segundo a qual todos os seres vivos teriam evoluído a partir de formas mais primitivas e mais simples, sob a influência do meio ambiente.
O absurdo é que Gregory Bateson afirma:
"Essa inversão completa da taxonomia é uma das mais surpreendentes façanhas de todos os tempos. Foi o equivalente, em biologia, à revolução de Copérnico em astronomia" (BATESON, 1972. p.427).
Charles Darwin, algumas décadas mais tarde, apresentou uma explicação para a evolução biológica baseada nos conceitos de variação aleatória ou mutação randômica. Em suma, coloca que o homem é um ser macacóide, pois descende de um ancestral símio. Não bastando, expõe que toda a natureza evoluiu de uma única partícula e a seleção natural foi determinando tecidos, órgãos, funções e especificidades.
Mesmo assim, apesar da fé necessária para crer nesse absurdo, Fritjof Capra declara:
"A monumental 'Origem das espécies' de Darwin sintetizou as idéias de pensadores anteriores e deu forma a todo o pensamento biológico subseqüente. Seu papel nas ciências humanas foi semelhante ao dos Principia de Newton na física e na astronomia, dois séculos antes" (CAPRA, 1982. p.67).
Reorganização filosófica neo-contemporânea
A tendência predominante do pensamento acadêmico está partindo para uma mudança, baseado na filosofia da física quântica, pois as últimas décadas desse século determinaram uma profunda crise mundial, tendo seus reflexos nas relações sociais, nas ciências políticas, tecnológicas, e na vida espiritual. O homem se deu conta de que o método cartesiano não mais explicaria o presente, tampouco o futuro próximo.
Então, Deus preocupou-se em revelar parte da sua sabedoria e ser novamente alvo da busca do homem pelo conhecimento, através de cientistas como Werner Heisenberg, Niels Bohr, Max Planck, Louis De Broglie entre outros, que formularam o conceito da mecânica quântica.
Essa teoria apresenta o universo como um todo dinâmico, indivisível, cujas partes estão essencialmente inter-relacionadas e só podem ser entendidas como modelo de um único processo cósmico.
Dependendo do modo como observamos as partículas subatômicas - elétrons, prótons e nêutrons elas apresentam-se não como matérias sólidas, mas como entidades abstratas. Em certo momento são ondas e em outros, partículas.
A natureza da luz pode ser uma partícula, mas também uma onda que se espalha sobre uma vaga região do espaço. Em nível subatômico, a matéria não existe com certeza em lugares definidos; em vez disso, mostra tendências para existir, e os ventos atômicos não ocorrem com certeza em tempos definidos e de maneiras definidas.
Para Bohr "as partículas materiais isoladas são abstrações, e suas propriedades são definíveis e observáveis somente através de sua interação com outros sistemas" (CAPRA, 1975. p.160).
A filosofia quântica do pensamento propõe que as teorias científicas não estarão nunca aptas a fornecer uma descrição completa e definitiva da realidade. Abordando claramente esse tema, os cientistas não lidam com a verdade e sim, com descrições da realidade limitadas e aproximadas.
Discussão
Parece evidente que Deus capacitou pessoas em épocas variadas com o intuito de revelar ao mundo a sua grandiosidade e sabedoria, através do conhecimento parcial, pois o infinito como alvo-fim é inatingível para essa condição corpórea.
Porém, as afirmações de Lamarck e Darwin determinaram um ponto crítico, divisor de águas, pois a descoberta da evolução em biologia forçou os cientistas a abandonarem o cogito cartesiano, segundo o qual o mundo era uma máquina inteiramente construída pelas mãos do Criador, para que agora vissem o universo como um sistema em evolução.
Sendo mais perspicazes, notaremos que implicitamente, esses trabalhos científicos trouxeram a tentativa frustrada de negar a existência de Deus. Não buscaram a verdade.
Quando Deus criou o universo partiu de uma totalidade e indivisibilidade, baseado tão somente no seu entendimento de como o sistema deveria funcionar. Dessas partículas indivisíveis criou a tudo com um fim específico, propósito e inter-relação. Por isso os peixes têm guelras e escamas, enquanto as baratas, carapaças corneáceas. O Criador imaginou a especificidade como um fim de sobrevivência para cada espécie.
De forma alguma a matéria "não pensante", desde a sua composição estrutural mais simples, teria a condição de compreender a possibilidade das adversidades do meio, a fim de desenvolver estruturas específicas de maneira randômica. Para esse sistema evolutivo, seria necessário que alguma "capacidade pensante" avaliasse o sistema externo, comparasse com a disponibilidade de defesas intrínsicas e arquitetasse as mudanças precisas para a sua adaptação.
Ao acaso, a matéria em evolução poderia ter "entendido" que quando ela passasse a ser uma espécie mamífera seria necessário a função determinada pela 5-HT (5-Hidroxi-triptamina) na cadeia do processo inflamatório, por exemplo? Como foi possível? De onde deriva essa substância tão específica, pertencente a um fenômeno correlacionado com a cicatrização, senão do fato de ter sido criada para o fim que ela está determinada?
Conclusão
O homem têm lutado para chegar ao conhecimento absoluto de tudo para posicionar-se como um deus. Para tanto, tem desenvolvido teorias e conceitos filosóficos cada vez mais absurdos que o tornam mais irracional do que cientista.
E não é negando a Deus que qualquer pesquisador se tornará mais científico ou sábio. Em Jesus encerra-se toda a sabedoria.
Quem determinou que cabe ao homem o dever de tudo explicar? Nossa capacidade mental, gerada por reações químicas que se dão no cérebro, nunca terá a condição de explicar como funciona um tempo onde não existe a medida cronos, porque está ligado àqueles dois grandes luminares que governam o dia e a noite. Então, como explicar a um ser tão maravilhoso como esse Deus querido, criador do próprio homem? Claro, sendo inexplicável, é melhor negá-lo, pelo menos não revela que o homem é um ser débil, que veio do pó e a ele retorna, certamente. Mas não. Mesmo assim, a arrogância continua funcionando ativamente para alguns cientistas, colocando-os em posições cada vez mais desconfortáveis em relação ao seu Criador. Afirmações que os afastam de um tão grande amor, como um filho rebelde foge do carinho de quem lhe deu a vida.
O grande sábio Salomão expressou que desde a eternidade a sabedoria existe:
"o Senhor me possuiu no princípio de seus caminhos, e antes de suas obras mais antigas. Desde a eternidade fui ungida, desde o princípio, antes do começo da terra. Antes de haver abismos, fui gerada, e antes ainda de haver fontes carregadas de águas. Antes que os montes fossem firmados, antes dos outeiros, eu fui gerada. Ainda ele não tinha feito a terra, nem os campos, nem sequer o princípio do pó do mundo. Quando ele preparava os céus, aí estava eu: quando compassava ao redor a face do abismo. Quando firmava as nuvens de cima, quando fortificava as fontes do abismo. Quando punha os fundamentos da terra; então eu estava com ele e era seu aluno... folgando no mundo habitável, e achando as minhas delícias com os filhos dos homens... o que me achar achará a vida, e alcançará favor do Senhor" (Provérbios 8:22-35).
"O temor do Senhor é o princípio da ciência" (Provérbios 1:7) e o fim, provavelmente, conhecê-lo frente a frente. Para tanto, só existe um caminho e é através do seu filho Jesus Cristo.
Julgas-te sábio, aceita o dom gratuito de Deus e terá a oportunidade de obter respostas a todas as tuas dúvidas diretamente do Criador de toda ciência.
A Bíblia afirma que um dia seremos transformados, teremos um novo corpo e estaremos ao lado do Criador, vendo-o face a face. Assim, a eternidade, um tempo fora do conceito kronos, que é o tempo kairós, nos capacitará a compreender a tão inabalável, maravilhosa e completa Ciência Divina.
É irretorquível afirmar que o conhecimento absoluto, verdadeiro, de si próprio e pela sua natureza intrínsica, encontra-se centrado naquele que é sempiEterno - Deus.
Para todo ser humano sempre há e haverá um "tempo" de reconciliar-se com o seu Deus e voltar para o seu Criador, aceitando a Jesus. Ë possível pesquisar, descobrir e gerar novos conhecimentos sem a necessidade de explicar a Deus. Com relação a Deus, só cabe um coração de fé que aceito-O e nEle deposita toda a confiança. Certamente Ele dará a qualquer um que pedir, a capacidade e o conhecimento necessários para acrescentar novas descobertas a este mundo e ser dEle um porta-voz.
Bibliografia
O código secreto da Bíblia. São Paulo, 1998.
BATESON, G. Steps to an ecology of mind. New York: Ballantine, 1972. p.427.
CAPRA, F. The tao of physics. Berkeley: Shambhala, 1975. p.56, 160.
O ponto de mutação. São Paulo: Círculo do Livro, 1982. 449p.
RANDALL, J.H. Th making of the modern mind. New York: Columbia University Press, 1976. p.486.
RUSSELL, B. History of Western philosophy. Londres: Allen & Unwin, 1961. p.542.
SOMMERS, F. Dualism in Descartes: the logical ground. In: HOOKER, M. Descartes. Baltimore: Johns Hopkins University, 1978.
VROOMAN, J.R. René Descartes. Nova York: Putnam, 1970. p.120.
BATESON, G. Steps to an ecology of mind. New York: Ballantine, 1972. p.427.
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