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O HOMEM

Antropologia é uma palavra derivada de duas palavras gregas: anthropos - Homem, e logos - tratado. Antropologia, portanto, é a doutrina acerca do homem. Estritamente falando, é a doutrina acerca de sua origem, natureza, queda e pecado. Mas não acerca do homem como objeto da graça, pois isto faz parte da divisão da Teologia denominada Soteriologia.

A ORIGEM DO HOMEM

I) O homem não é preexistente: A idéia de que o homem existiu noutra parte antes de aparecer no mundo não se baseia em nenhuma prova ou documento. Não existe memória nem consciência de uma vida anterior. A Bíblia diz que o homem foi criado sobre a terra e que todos procedemos de Adão.
Admitida a preexistência, temos que crer ou que o homem é eternamente preexistente ou que foi criado por Deus nesse estado preexistente.

II) O homem não é uma emanação da substância de Deus:

1) Porque a emanação, resultaria em ser possível a substância de Deus tornar-se corrupta, e isto é derrogatório do caráter de Deus.

2) Porque a substância é aquilo a que são inerentes os atributos, e se nós participássemos da substância de Deus possuiríamos também os seus atributos, como onisciência, infinidade, etc.

III) O homem não é uma forma de Deus: Isso seria Panteísmo. Deus e o homem são seres distintos e não devem ser confundidos nem identificados.

IV) O homem não é produto de geração espontânea: A ciência desconhece a geração espontânea. Elaboradas experiências e os mais intensos esforços e acuradas observações reduziram a nada a idëia da geração expontânea.

V) A origem do homem não se explica pela evolução: Desenvolvemos este assunto mais do que os outros, por causa de seu especial interesse na atualidade.

1. A evolução é um processo e um processo nada origina. Evolução criadora é um paradoxo. A própria evolução requer um começo e uma causa. A evolução requer materiais com que operar e uma mente guiadora para conduzí-la a seus próprios fins.

2. Darwin cria que Deus criou a primeira forma ou formas de vida, em número muito reduzido, e que todos os gêneros e espécies procederam desse ponto de partida.

3. Evolucionistas posteriores. como Haeckel, afirmaram que a vida se originou de movimentos moleculares da matéria morta e que se desenvolveu assumindo todas as formas subsequentes dos seres vivos. Disse Haeckel: "Com um único golpe Darwin aniquilou o dogma da criação". Mas o próprio Darwin não admitiria isso.

    "Se a matéria morta tivesse criado a sua própria vida e se o átomo tivesse achado a sua própria consciência, então o milagre seria certamente maior do que aquele que a Bíblia nos apresenta."

    "A vida procedente de um Deus vivo - eis um pensamento aceitável, no qual existe senso, mas a vida procedente da matéria morta é inadmissível e absurdo". - Fr. Bettex.

4. Objeções à Evolução.

(a) Não se conhece nenhum exemplo de transmutação das espécies. Diz o Prof. Bateson: "A origem e a natureza das espécies permanecem um mistério absoluto". Mas este é o sine qua non da evolução.

(b) Jamais se encontraram os elos perdidos. E seriam necessários milhares de tais elos. A fim de estabelecer a doutrina da evolução é indispensável encontrar os elos perdidos entre as formas cósmicas e orgânicas da natureza, entre o reino vegetal e o animal, entre os invertebrados e os vertebrados, entre os vertebrados inferiores e os mamíferos, e entre os mamíferos e o homem. Existem vastas lacunas que exigem milhares de elos de ligação jamais encontrados.

(c) A ciência apresenta grandes lacunas entre as diferentes espécies e prova que cada espécie apareceu sem antecedentes conhecidos que lhe dessem origem.
O evolucionista Prof. Joseph Le Conte, da Universidade da Califórnia, observa: "A geologia hodierna tende a provar que as espécies vieram à existência repentinamente e em plena perfeição, permanecendo substancialmente imutáveis durante o período de sua existência e desaparecendo em plena perfeição. Outras espécies tomaram-lhe o lugar, claramente por substituição e não por transmutação".

(d) O tempo não é suficiente. Ao exigirem os evolucionistas milhões e milhões de anos para o processo, pode-se com razão fazer a seguinte pergunta: Era a terra habitável durante tão longo período?

(e) A esterilidade dos híbridos. A própria natureza fechou a porta à transmutação das espécies.

(f) Os mais antigos resquícios do homem apresentam o mais elevado desenvolvimento, o que prova que o homem, como as outras espécies, veio à cena na plena maturidade de seu ser. Jamais se encontraram indícios da existência de um ser que estivesse entre os animais e o homem, que fosse meio animal, meio homem.

(g) A vasta superioridade de um reino sobre o outro. Nada se pode achar no reino vegetal de onde pudesse proceder a vida animal com os seus característicos inconfundíveis. Assim, também há um vasto abismo entre o animal e o homem. Nada existe no reino animal de onde pudessem proceder a autoconsciência e a natureza moral. Um ente não moral não podia ser a fonte de um ente moral. Os instintos dos animais permanecem os mesmos de era em era. O pássaro ainda constrói o seu ninho e a abelha ainda fabrica o seu favo como o fizeram no Éden. Não tem havido progresso algum no seu desenvolvimento mental.

(h) Degeneração. Há uma lei de degeneração tanto como de desenvolvimento. Fisicamente, os homems hodiernos são inferiores aos antediluvianos; mentalmente, não estamos acima dos antigos egípcios, cujas invenções rivalizam com as nossas.

    A matéria frequentemente se desintegra quando não submetida a tratamento artificial. Os órgãos não usados se atrofiam e desaparecem. Não poderia haver evolução de um órgão através de milhões de anos antes de chegar ao ponto de ser usado. Teria degenerado e desaparecido antes mesmo de começar a sua longa jornada.

(i) Se a evolução é um processo cósmico, como nos dizem certos cientistas, devia ela aparecer em toda a parte e estar em plena e real operação diante de nossos olhos. Por que é que ela "abandonou o negócio"? Será que tudo já chegou a tal estado de perfeição que não é mais possível progresso algum?

(j) Se o cruzamento inteligente não pode jamais produzir uma única espécie nova, que probabilidade existe de que o acaso cego ou a seleção natural tenha podido fazê-lo? Pode a "seleção natural" realizar aquilo que a seleção inteligente não pode?

(l) Os evolucionistas supõem que a natureza destruiu milhões de formas que, se pudessem ser achadas, provariam a sua teoria. Com que ironia tratou a natureza aos evolucionistas, destruindo exatamente as formas de que eles tanto necessitavam, ao passo que preservou o resto!

(m) Algumas descobertas geológicas mais recentes invertem, até certo ponto, a ordem em que se supunha ter a vida aparecido sobre o globo. Estratos e fósseis pré-cambrianos, supostamente antigos, jazem bem acomodados sobre estratos e fósseis cretáceos supostamente novos. Isto aparece em vastas áreas, invertendo a ordem evolucionária in loco.

(n) Recentes avanços na ciência biológica têm modificado algumas opiniões mais antigas quanto ao modus operandi da evolução.
Biologistas alemães, a princípio, e depois ingleses, também, começaram a repudiar a teoria da seleção natural, ensinada por Darwin, como explicação da evolução. E agora, o Mendelismo, isto é, a ciência da reprodução por meio do cruzamento, remove o outro sustentáculo da teoria, mostrando que pequenos acréscimos hereditários não se acumulam ao ponto de formar uma nova espécie. Assim, o apoio que a evolução antigamente recebia da biologia, foi retirado pela ciência mais recente e mais acurada.

(o) A evolução tem sido repudiada pelos mais hábeis cientistas do mundo, ao passo que as admissões dos próprios evolucionistas são suficientes para desacreditar a teoria. Uma discussão mais completa desse ponto se pode encontrar na obra "The collapse of Evolution", pelo Prof. Luther Townsend.
Recomendamos o livro do dr. Duane Gish - Evolução: O Desafio do registro Fóssil por nós traduzidos para o Português.
(VI) A Evolução e as Escrituras:

1. As escrituras declaram que Deus criou o homem.
2. As escrituras não declaram como Deus criou o homem, se instantaneamente, se mediante um processo de desenvolvimento. De qualquer modo, porém, houve criação.
As Escrituras declaram que Deus formou o corpo humano do pó da terra. É possível entender esta declaração como significado que Deus criou o homem do pó da terra mediata ou imediatamente.
3. A evolução é importante para o teólogo, porque os evolucionistas têm usado a teoria como base para novas interpretações das doutrinas bíblicas. No uso que fazem dessa teoria, muitas doutrinas fundamentais são afetadas, como, por exemplo, a criação, o homem, a queda, o pecado, Cristo, a encarnação, e expiação, etc... Mas não é lógico, nem legitimo basear uma conclusão numa premissa hipotética.

"Lord Kelvin, um dos maiores dentre os cientistas modernos, disse: " Devo maravilhar-me ante a indevida pressa com que certos professores em nossas universidades e certos pregadores em nossos púlpitos estão representando a verdade em termos de evolução, ao passo que a própria evolução permanece uma hipótese não provada nos laboratórios da ciência."

(VII) A Origem do Homem se Encontra na Criação Divina

1. Quer tenha sido feito já plenamente desenvolvido, quer tenha procedido de alguma forma específica criada por Deus, o fato é que o homem é produto da criação divina. Gên. 2:7 mostra ter havido criação mediata em reação ao corpo do homem, e criação imediata em relação a sua alma. Não se nos diz, porém, se a criação mediata realizou por meio do desenvolvimento de alguma forma anterior.

2. Criado apenas um par.

(a) Prova Bíblica: Gên. 1:27 "Macho e fêmea os criou."
Atos 17:26 "E de um só (sangue) fez toda a geração dos homens."

A unidade da raça humana constitui um dos fundamentos da doutrina do pecado original, em virtude da queda de Adão.

(b) Linguagem: A grande semelhança das raízes nas línguas primitivas, indica unidade de linguagem nos primeiros dias da raça humana.
Está provado que o egípcio mais antigo se derivou do babilônico e que o babilônico era uma mistura de sumeriano e semítico. Têm-se encontrado semelhanças entre o chinês e o acadiano.
" Urso em etíope é Deb, em hebraico Dob, em aramaico Deba, em árabe Dub. Isto indica que essas raças tiveram uma origem em comum e mostra incidentalmente que a sua pátria original era um lugar onde o urso era um animal familiar".
A unidade da linguagem é uma forte evidência em favor da unidade da raça.

(c) Um só sangue: A lei da esterilidade dos híbridos não se aplica à raça humana. A união de diferentes famílias ou raças tem-se revelado uniformemente fértil. Fica provado assim, que os tipos mais divergentes têm um só sangue.

3. O homem ocupa uma posição intermediária entre a natureza e Deus, preenchendo a vasta lacuna entre o material e o espiritual como um corpo que o relaciona com a terra e uma natureza espiritual que o relaciona com Deus.

4. Se não existisse o homem, não haveria ninguém para apreciar a criação material de Deus e ninguém sobre a terra que entrasse em comunhão com Deus.

5. A criação da mulher: Temos a história da criação da mulher em Gên. 2:21-23. Temos a história do Gênesis, que nos dá tão poucos detalhes que não é possível formar com eles uma teoria.
E asim deixa-nos a Bíblia em inteira ignorância quanto ao processo da formação da mulher.
A Bíblia tem pouco a dizer com o fim de satisfazer a curiosidade. Tudo o que ela achou por bem dizer-nos é que o homem e a mulher têm um criador comum e uma natureza comum; que se suplementam mutuamente para o seu próprio bem e para a realização do propósito de Deus em relação à raça humana.
Não é importante saber exatamente como a mulher foi criada; é mais importante saber para que foi criada ; e a este respeito a Bíblia é suficientemente explícita.

A ANTIGUIDADE DO HOMEM

I) Há quanto tempo tem o homem vivido sobre a terra?

A crença comum é que cerca de 6.000 anos. Esta idéia é devida à cronologia de Usher que se acha na margem de muitas Bíblias. A cronologia de Usher é baseada no texto hebraico, mas é um tanto incerta em relação aos períodos mais primitivos, porque é evidente que as listas genealógicas não são completas. As listas subsequentes a Abraão se acham contraídas e, sem dúvida, o mesmo se dá em relação aos tempos anteriores. Sendo assim, é dificil organizar uma cronologia acurada. Acronologia baseada nas LXX daria à raça humana a idade de cerca de 7.500 anos. Há também alguma dificuldade em compreender as declarações hebraicas a cerca de números. Geologistas conservadores declaram que 10.000 anos são suficientes para todos os problemas científicos envolvidos. Quamdo alguns afirmarem serem necessários milhões de anos, receba-se a afirmação com restrições.
O Prof. Frederick Pfaff, da Universidade de Erlangen, escrevendo sobre a "Idade e Origem do Homem", mostra:

1. Que a idade do homem é curta, estendendo-se apenas a uns poucos milhares de anos.
2. Que o homem apareceu de repente - o homem mais antigo que se conhece não é essencialmente diferente do homem da atualidade.
3. Que não se encontra em parte alguma transição do macaco para o homem ou do homem para o macaco.

II) Razões apresentadas para provar a grande antiguidade do homem

(a) As invenções que se supõe caracterizarem diferentes épocas, como a idade da pedra, a idade do ferro, a idade do bronze, etc. Mas estas idades não são suscessivas e sim comtemporâneas. Houve uma idade da pedra na América há apenas alguns séculos. E na Nova Guiné essa idade continua até o presente.

(b) Resquícios humanos encontrados em estratos profundamente enterrados.
A pergunta é: Como eles chegaram até lá? Podem ter sido arrastados pela água até lá através de aberturas, ou ter sido enterrados em cavernas que já caíram, ou ter sido carregados por animais subterrâneos, ou ter sido enterrados por convulsões da natureza. Os terremotos muitas vezes sepultam uma área e fazem surgir outra. Supunha-se ser de grande antiguidade um tijolo achado nas areias do Nilo, até o dia em que outro foi encontrado num lugar muito mais profundo, trazendo uma inscrição moderna.

Um esqueleto e um bote achados nas areias do Mississipi eram ambos modernos. As moedas, machados e armas encontrados nos paús de turfa na Europa são quase todos romanos.

(c) Resquícios humanos encontrados com ossos de animais cuja espécie está extinta. Isto não é prova de que sejam ambos da mesma era. O dilúvio pode tê-los arrastado de modo a ficarem juntos nos mesmos estratos ou em cavernas, ou então as correntes marinhas os arrastaram quando se achavam nas praias.

(d) Caucasianos e negros são claramente vistos nos monumentos egípcios, e deve ter sido preciso um longo tempo para se desenvolverem as diferentes raças. Não podemos dizer quanto tempo foi necessário para diferenciar o mongólico, o caucasiano e os negros, ou se algumas dessas diferenças se achavam em Sem, Cão e Jafe. A Bíblia não nos faz qualquer declaração quanto à idade do homem sobre a terra. É, entretanto, sábio rejeitar todas as afirmações extravagantes.

A NATUREZA DO HOMEM

Gên.2:7. "E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente".

1. Tem o homem uma alma imortal?

(a) Descartes, fundador da filosofia moderna, cria na substância da alma.
(b) Locke cria na substância da alma. mas negava a possibilidade de se saber o que é esta substância.
(c) Kant lançou dúvidas sobre a substancialidade da alma. Disse que a experiência não oferecia nenhuma ividência de sua realidade e que a autoconsciência não envolve a idéia de substância, mas que é possível haver alma com substância real.
(d) Hume negou a substância da alma, insistindo em que o nosso conhecimento do eu não pode ir além das impressões, sensações e sentimentos.
(e) Haeckel e outros materialistas monistas, em anos posteriores, chegaram a atribuir uma espécie de mentalidade ao átomo. Isto constituiu uma confissão de que o materialismo puro não satisfaz todas as exigências. Mas, se admitir mentalidade, então o homem pode ter uma alma e o universo, um Deus imanente.
(f) O Prof. Janes de Harward tinha idéias muito parecidas com as de Hume neste particular. escreveu ele: "As almas estão fora da alma. A alma está tão morta quanto o Dodó( espécie de ave hoje extinta). As almas já se gastaram tanto a si mesmas, quanto à sua aceitação. Como psicólogos não precisamos absolutamente de metafísica.Não há nem pode haver compulsão para o empírico admitir a existência da alma". Prof. James substituiu a alma por uma corrente de pensamento ou uma série de experiências. É esta a chamada Teoria Serial.
(g) estas citações revelam a tendência moderna de reduzir a psicologia a mera fisiologia e de negar a existência de uma entidade imaterial a que nós damos o nome de alma ou espírito. Esta é uma forma extremada de psicologia, que constitui realmente uma volta ao mais antigo e grosseiro materialismo. A fé cristã é a antítese de tudo isto.

2. Refutação da Teoria Serial.

(a) Memória. Um sujeito permanente é essencial à memória.
(b) Reconhecimento. Como poderia eu reconhecer o homem que vi o ano passado a não ser que um "eu" permanente continuasse através de todo ano?
(c) Identidade pessoal. Eu sei que sou a mesma pessoa que eu era desde o tempo em que comecei a ter consciência de minha própria existência. Algo, portanto, permaneceu inalterável através de todas as mutações.
(d) Responsabilidade. Sem um "eu"permanente não poderia haver responsabilidade.
(e) O pensamento e a volição são atos conscientes. E todo o ato requer um agente.
(f) O sentimento é um estado consciente. Deve haver algo de que o sentimento seja um estado.
(g) Unidade de plano na vida. Quase todas as vidas revelam um plano definido e um propósito determinado através dos anos, o que só se pode explicar havendo um "eu" permanente.

Prof. James sugeriu que cada termo "absorve"o seu predecessor, de modo que o último contém todos os que o antecederam. Mas nós sabemos que a experiência presente não contém todas as experiências prévias. Elas nem mesmo são conhecidas. Falar de um "eu" momentâneo que apropria inúmeros ëus"mortos é extravagância.

VERDADEIRA LIVRE-AGÊNCIA

Livre-agência significa que o homem age livre de compulsão proveniente de qualquer poder externo, que el age em harmonia com sua própria natureza, sob a influência de seu conhecimento, seus desejos, sentimentos, inclinações e caráter. Mas o homem não é independente de Deus, nem das leis do universo, nem de sua própria natureza.

A Bíblia ensina que o homem é um agente livre, ordena-lhe que escolha e o considera responsável pela sua escolha. se o homem não fosse um agente livre, não teria responsabilidade. Em geral, o homem age como pensa e sente e de acordo com seu caráter ou natureza. A livre-agência, entretanto, tem os seus limites. Existem muitas coisas, dentre as que mais profundamente nos afetam, com as quais a livre-agência do homem não tem interferência de espécie alguma.

Nenhum homem jamais teve oportunidade de decidir quanto à sua existência ou não existência neste mundo. Quanto a existência lhe foi dada, ele não teve ensejo de dizer "sim"ou "não". A existência lhe foi imposta, e uma mão poderosa o impele através de uma série de experiências, em que há alegrias e tristezas, lágrimas e temores, necessidades e ais, triunfos e tragédias. E ele tem que continuar sua marcha sem poder vacilar, parar ou retroceder, sem ter sequer a possibilidade de tentar fazê-lo.

Temos que reconhecer os limites da livre-agência; temos que confessar que somos limitados por Deus e pela sua soberania absoluta e por certas leis e condições que Deus imprimiu em nosso ser e no universo em que vivemos.

"Sem dúvida alguma, a livre-agência dos homens tem sido absurdamente exagerada. Na realidade, ela é estritamente limitada. Não existe aquilo a que se tem dado o nome de independência humana.
Todas as forças que qualquer homem emprega, ao fazer uma escolha ou ao realizá-la, provém de algo fora e além de si próprio. As condições do homem determinam os canais em que ele tem que usar os poderes de que dispõe. Entretanto, no coração deste mundo governado por forças e leis inelutáveis, existe algo misterioso e único - a escolha livre" - Charles Gore, Bispo de Oxford.

RELAÇÕES PARA COM A REGENERAÇÃO

Devemos lembrar-nos de que a regeneração é o resultado de uma intervenção divina que muda a natureza e determina a vida. Nenhuma agência livre está acima de Deus. O homem não é o agente de sua regeneração.

Esta nova criação ou novo nascimento não constitui violação de livre-agência, da mesma forma que não constitui a criação do homem no princípio.

Em sua velha vida, ele agia de acordo com sua natureza pecaminosa, e na sua nova vida ele age de acordo com sua nova natureza. Em tudo, portanto, ele é um livre-agente. Mas na sua regeneração ele não foi agente em sentido nenhum.

O ESTADO ORIGINAL DO HOMEM

I) Quanto ao corpo.

(a) Aparentemente já criado em pleno desenvolvimento.
(b) Imortal. As Escrituras sempre apresentam a morte, quer física quer espiritual. como resultado do pecado.
Portanto o homem não tivesse pecado não teria ficado sujeito à morte.

Como seria preservado o seu ser físico?

A constituição original do homem era evidentemente de elevada qualidade. A longevidade dos patriarcas, mesmo depois que o pecado entrou no mundo, mostra que o homem tinha uma constituição notável. E os mais antigos restos fósseis do homem provam que ele era altamente desenvolvido.
Havia uma árvore da vida no jardim ( Gên.3:24 ) a qual é mencionada de novo no Apocalipse como sendo para a saúde das nações.

Talvez a trasladação sem morte, como no caso de Enoque, tivesse se tornado o meio de produzir imortalidade. ( Ver "System of Christian Theology").

II) Quanto à alma.

(a) Criada à imagem de Deus. Isto inclui conhecimento, santidade, natureza moral, natureza racional, livre-agência, domínio etc.
O homem foi criado capaz de ter comunhão com Deus. As inferências deste fato são muitas e importantes, tendo referência à personalidade de Deus, à sua natureza, a uma certeza a priori quanto à revelação, etc.
(b) "Deus criou o homem macho e fêmea conforme a sua própria imagem, em conhecimento, retidão e santidade, como domínio sobre as criaturas"

A QUEDA DO HOMEM

(I) Teria Havido Queda?
(a) Isto é negado pelos evolucionistas, panteístas e outros.
(b) É ensinado na Bíblia. Gên. I - III.

Duas dificuldades:

(a) Dificuldade Psicológica.Como pode um ser santo, entreter o desejo de pecar? Como pode uma volição pecaminosa se originar numa vontade santa?

Se a volição é determinada pelo desejo e pelo caráter, como pode um caráter santo ter uma volição pecaminosa? ( Ver "System of Christian Theology", por Henry B. Smith, pág. 263.)

    A tentação lhes foi apresentada. Foi despertado o desejo natural de receber alimento e de obter conhecimento, e as incitações do tentador os levaram ao exercício de sua livre-agência contrária ao seu próprio bem. O ato não era pecaminoso em si, mas porque fora proibido.

(b) Dificuldade moral. Por que um Deus santo permitiu o pecado? ( Acha-se uma discussão completa do assunto em "System of Christian Theology", por Henry B. Smith, p. 146-159.)

OBSERVAÇÕES:

(1) Deus podia ter evitado o pecado.
(2) Deus o permitiu por motivos que nos são desconhecidos.
(3) Fez o homem um agente livre para escolher por si mesmo.
(4) Parece que o pecado deve ser uma possibilidade, onde a livre-agência é um fato.
(5) Deus controla o pecado para o bem eventual.
(6) O amor de Deus é mais evidente na redenção, do que o seria se o homem nunca tivesse pecado.
(7) Depois de tudo o que foi dito, a origem do pecado tem que permanecer um mistério sendo inescrutável a sua razão de ser.

Os Efeitos da Queda

O começo do pecado e da apostasia encontra-se em geral numa falta ou defecção insignificante, que a princípio não ofende o sentimento moral. Mas, tendo sido dado o primeiro passo, segue-se com crescente rapidez a descida no plano inclinado da iniquidade. Tendo Adão desobedecido e corrompido a sua natureza, transmitiu à sua posteridade uma propensão para o mal e logo apareceram os tristes frutos. O primeiro homem que nasceu neste mundo assassinou ao segundo, e a degenerescência da raça marchou aos saltos e pulos até que culminou na destruição do dilúvio.

A queda foi mais do que uma mero infortúnio: corrompeu a natureza espiritual da raça humana. " O que é nascido da carne é carne"( João 3:6 ). Toda a humanidade herdou uma natureza pecaminosa, que é pecado em si mesma. Pecaminosidade ou natureza pecaminosa é pecado; e todo pecado e pecaminosidade se acham sob a condenação da lei de Deus. "Éramos por natureza filhos da ira, como os outros também ( Efés. 2:3 ). A raça perdeu-se na queda.

"Todo o gênero humano por sua queda perdeu comunhão com Deus, está debaixo da sua ira e maldição, e assim sujeito a todas as misérias nesta vida, à morte e às penas do inferno para sempre".

PECADO

A consciência distingue entre o prazer e o sofrimento; entre a felicidade e a miséria; entre percepções e intuições.

Assim também, ela distingue entre o certo e o errado, entre o bem e o mal. Desse modo dá testemunho quanto à existência do mal.
O Pecado é uma convicção universal. Todas as nações, com todos os tipos de religiões, estão cônscias do pecado e de que o pecado é algo específico, diferente de todas as outras afecções da alma.

Todas as religiões pagãs são testemunhas quanto aos fatos da natureza humana, e todas revelam consciência do pecado e necessidade de reconciliação com um Ser Supremo. Toda a criancinha atirada no fogo a Moloc, ou no fosso de um templo pagão, ou no rio Gangues para alimentar os crocodilos; todo o ato de ascetismo, ou de flagelação, ou de humilhação corporal; todo o altar tinto de sangue de uma vítima, tudo isto constitui notável e impressionante confissão da consciência do pecado. As religiões pagãs são apenas grandes esforços do espírito humano para expressar suas convicções religiosas e resolver o multi-secular problema proposto pelo patriarca JÓ:

"Como se justificaria o homem para com Deus?"( Jó 9:2 ). Em toda a parte o homem se sente sujeito a uma lei que distingue entre o bem e o mal e reconhece que é seu dever fazer o que é direito e bom e se abster do que é errado e mau. Ele sabe também que não tem feito o bem, mas que, pelo contrário, tem praticado o mal.

O testemunho da consciência vai ainda além, isto é, atesta a existência de um Deus pessoal. O coração humano universal sente responsabilidade para com um ser mais elevado do que o homem e que está sobre todos os homens, o qual nos aprova ou condena, de acordo com a nossa conduta e caráter. O senso de obrigação nos homens sempre se relaciona com um ente que pode ser agradado ou desagradado, sendo este ente e sua vontade a lei quanto ao bem e ao mal. Assim a conciência inata do homem dá testemunho quanto ao pecado.

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