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Há alguns anos atrás fui consultar o Dr. Darby Valente e ele recomendou-me um check up geral dizendo a gente nunca sabe o que nos pode acontecer e contou-me um impressionante acontecimento de sua vida, o qual exponho como ele descreveu e escreveu com suas próprias palavras.
'Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou no coração humano, o que Deus tem preparado para os que o temem'.
Era Inverno, sexta-feira, meia noite, julho de 1989. Não vi o ônibus-leito partir. nem chegar em Curitiba, na madrugada. Quando recobrei os sentidos estava absolutamente sozinho dentro do ônibus, enregelado: todos tinham descido, inclusive o passageiro do meu lado, que para desembarcar precisou passar por cima de mim., eu nada vi. Pudera! Eu tinha desmaiado no terminal Rodoviário em São Paulo e só acordei em Curitiba.
Levantei os olhos, vi minha mala lá fora na calçada; nem o motorista estava presente! Ele certamente, teria ido atrás de socorro médico para mim ou para providenciar algo diferente, pois "lá dentro do ônibus tinha um morto".
Não, eu não tinha morrido, mas por pouco... Eu tinha sido acometido de um infarto do miocárdico lá em São Paulo. Foi pegar a mala e levantar o peso para sentir novamente aquela opressão! Eu sabia que o meu coração estava por um triz!!!
Fui fazer os exames e finalmente o cardiologista Dr. Mário Maranhão, recomendou que fizesse a Cineangiocoronariografia e caso necessário, completasse com a Angioplastia.
No dia certo fui e me submeti ao exame. Enquanto estava deitado naquela mesa fria de madeira, com luz muito forte, no teto, fechava os olhos e tal era a minha tranquilidade e confiança no meu Senhor, que o Seu Espírito me fazia recordar com persistência estas palavras: O Senhor é meu Pastor e nada me faltará"... E por muitas vezes, repetidas, voltavam ao meu pensamento as palavras iniciais do Salmo 23.
Enquanto isso o dr. Antoninho Krichenko ía fazendo a dissecção da artéria do braço direito e isso de certa forma me agradava porque escorria em grande quantidade pelo braço, o sangue quente que me aquecia naquela manhã; era muito frio, muito mesmo. O ar condicionado não funcionava e ainda por cima eu tinha sido desnudado e sobre mim estavam somente uns finos campos cirúrgicos de tergal verde. E eu ali sorria, porque o Salmo 23 continua: "O Senhor é meu Pastor e nade me faltará deitar-me faz em verdes campos, refrigera a minha alma". E como estava refrigerado!!!
Por fim a equipe médica formada por três médicos me comunicaram que, em vez, de pararem por ali e programarem a cirurgia maior, mais conhecida por "Transplante de veia safena" resolveram completar o exame com a Angioplastia.
Esta operação consiste em introduzir um fino turbino de polietileno (catéter) pela artéria braquial até que, ao chegar no coração, a artéria coronária, e encontrando a obstrução, a ponta do catéter seria inflada, por conter ali um balonete, este se alargando também alargaria a artéria obstruída, dando assim condições de um melhor transito do sangue por todo o território irrigado pela artéria coronária.
No exato momento da dilatação da artéria coronária eu senti o que nunca havia sentido antes, uma dor tão violenta, de tal forma lancinante que me pareceu que naquele momento eu estava sendo esmagado por um imenso tanque de guerra. A dor se estendia por toda a superfície corporal de uma intensidade tal que era insuportável. Eu sentia a dor com tal intensidade que até fora do meu próprio corpo ela se manifestava. É isso mesmo, em todo o corpo e fora do corpo!!! Que momento de agonia! Que dor!
Foi exatamente nesta hora que o Senhor se compadeceu de mim, teve tanta misericórdia para comigo, que subitamente me retirou do corpo; o meu espírito foi transladado para um lugar muito distante. Eu estava diante de um grande e monstruoso precipício; na minha frente se descortinava uma cena impressionante porque era imensa e a perder de vista, de aspecto repugnante; tive náuseas e quase vomitei na mesa; era um por de sol, portanto de tarde! O sol já se declinava e eu comecei a ser atraído para aquele despenhadeiro, uma atração irresistível que me fazia escorregar lentamente para aquele desfiladeiro, de modo que não podia evitar tal atração. Nesta hora eu falava comigo mesmo: " É Darby, você está morrendo; veja bem ai na sua frente, é o vale da sombra de morte". E passei a dizer em alta voz: Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum", pois o Salmo 23 continua com estas palavras.
À medida que fui afundando naquele vale sombrio, como se escorregasse para uma boca voraz que me engolia por entranhas horripilantes, em alta voz, eu dizia o que o meu espírito me confirma sempre que me defronto com qualquer perigo, á a minha mais absoluta convicção: Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte não temerei mal algum, nem ninguém, nem nada, nem circunstância alguma, nem opressão ou angústia, nem coisa nenhuma! A minha convicção de que o Senhor não me desamparará, como de fato não me desamparou, é inabalável.
E quando cheguei lá no fundo tenebroso deste vale imenso e horroroso, com a sensação de que todas as possibilidades de sobrevivência haviam se esgotado, absolutamente só e desamparado lembro-me do Senhor Jesus agonizante na cruz exclamando: Eloí, Eloí, lama sabactani. Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? E, assim pensando exclamei com todas as forças do meu interior, em grande voz: "Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte não temerei mal algum, porque Tu estás comigo!!! "Bendita fé que nos consola. Bendita graça que o Senhor nos concede, porque nesse precioso instante me aconteceu o fato espiritual mais deslumbrante, mais encantador, mais comovente de quanto imagino um pobre mortal possa participar!
Num piscar de olhos, na velocidade do raio fui arrebatado daquelas profundezas horrendas, daquele vale sombrio, tenebroso e imediatamente - Oh! Glória a Deus - me encontrei num lugar de um gozo indescritível. de uma beleza luxuriante, de um esplendor impressionante - era uma manhã com um sol mais brilhante do que mil sóis; o chão era como de cristal dourado, as sensações eram indescritíveis, já que não temos órgãos dos sentidos para receber tais estímulos: dai porque Paulo dissera que estando nesse lugar de gozo no Paraíso, ouvira palavras inefáveis, que ao homem não era lícito produzir.
Senti sensações inefáveis, indizíveis, impossíveis de se reprisar pois não existem palavras para tais sentimentos. São experiências espirituais que só se discernem espiritualmente.
Porém, o mais emocionante estava para acontecer: veio se aproximando aquele vulto augusto imponente, de muita luz, e correspondia aos dizeres de João, cuja visão Patmos descreve o nosso amado Senhor e Salvador Jesus Cristo: eis que o vejo montado sobre um cavalo branco, sua roupa de linho salpicada de sangue: sobre sua cabeça uma coroa com muitos diademas, seu rosto brilha mais que o sol do meio dia, seus olhos são como chamas de fogo, sua voz como a voz de muitas águas, sobre os seus ombros o manto de sua eterna autoridade, na coroa escrita com letras douradas Rei dos Reis, Senhor dos Senhores. Aleluia!!!
O próprio Senhor Jesus se aproximou de mim, reconhecendo-me, com um sorriso e me tratou pelo meu próprio nome e me disse: "Darby, você não morreu, volta e diz a quem quiser ouvir você, que EU ESTOU VIVO!!! "Ainda quis me abraçar com o Senhor mas, em seguida recobrei os meus sentidos e estava de novo, naquela sala fria da Cineangiocoronariografia. Abri os olhos e estava decepcionado porque voltara ao ambiente comum dos mortais, naquela sala fria, fria e desarrumada. E o Dr. Antoninho Krichenko sobre mim fazendo massagem cardíaca, já que o meu coração havia parado e eu estava a um passo da morte. Mas o Senhor me fortaleceu, me estimulou a contar esta experiência fora do corpo, a qual sendo dolorosíssima, ao mesmo tempo foi gloriosíssima, na configuração da minha fé e da fé daqueles que amam ao Senhor e o aguardam com sofreguidão. Aquele que confia no Senhor é como o Monte de Sião, que não se abala, mas dura para sempre!!!
Darby Valente
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